Archive | As Receitas das Nossas Avós RSS feed for this section

Carne de Vinho e Alhos

23 Jun

O almoço do dia de Natal na Madeira traz sempre muitas e boas recordações e hoje partilhamos convosco o prato típico que se serve nessa altura. Esta carne de sabor forte e avinagrado não poderia faltar no almoço de homenagem às nossas avozinhas…

Há quem lhe chame carne vinha d’alhos, nós chamamos carne de vinho e alhos. Cada família terá os seus truques e temperos; esta é a receita da vó Gi!

Carne de Vinho e Alhos

200g de carne de porco por pessoa, cortada aos cubos

2 pedaços de entremeada

2 cabeças de alho

Louro, manjerona, segurelha, tomilho

Vinho branco

Vinho tinto

Vinagre

Sal

Pimenta

 

Começa-se por colocar a carne no fundo de um tacho largo e fundo, de preferência em barro. Tapa-se o fundo com a carne e cobre-se sal, pimenta, alhos esmagados e as ervas aromáticas. Depois vai-se alternando camadas de carne e de tempero até não haver mais carne. Posteriormente prepara-se o líquido no qual a carne vai marinar: depende da quantidade de carne, mas por cada litro de vinho branco, junta-se meio litro de vinagre e 250ml de vinho tinto. A carne deve ficar completamente submersa na marinada. E deve aí ficar no mínimo de um dia para o outro, mas pode ficar a tomar gosto durante uma semana; não corre o risco de ficar estragada, desde que não esteja exposta ao calor. Para este almoço, fizemos o tempero três dias antes.

Passado esse tempo a carne é cozida no próprio líquido, durante cerca de meia hora. De forma a que fique cozinhada mas que não se desfaça. No cimo do tacho da cozedura deve ficar uma camada de gordura, na qual se irá depois fritar a carne. Nesta altura descarta-se a entremeada. Depois frita-se a carne toda e está pronta a servir. Se quiser fazer mesmo como se faz na Madeira, reserve o líquido da cozedura para molhar fatias de pão caseiro e fritá-las com a carne. Nós acompanhámos com umas deliciosas migas alentejanas e, como tal, descartámos esse passo.

A maior parte dos participantes nunca tinha provado este prato e gostou bastante. Mas tivemos a certeza que estava mesmo bom quando a única madeirense da mesa disse que lhe sabia a Natal…

Advertisements

um doce final

9 Jun

Em todos os almoços, temos tido a sorte de servir aos nossos convivas, licores caseiros, para terminar a refeição.

No primeiro, foi uma ginjinha caseira, que quase desapareceu, de tão doce estava, Para homenagear as avós, recorremos a Licor de Tangerina e de Framboesa.

Se eram bons? Isso nem se pergunta:)

cenas de um longo almoço

6 Jun



 

a ementa das nossas Avós

6 Jun


Para cada almoço do Prato Improvisado, normalmente acumulamos algumas mãos cheias de horas na cozinha.

Há a pesquisa e selecção das receitas, a escolha e compra dos ingredientes, o fechar da ementa e de como vamos servir cada elemento, a decisão sobre que flores vamos por na mesa e o que vamos oferecer aos nossos convidados.

Para nós é importante que quem entre pela porta se sinta confortável, que se sinta bem recebido.

Esta é a ementa de um almoço que nos foi muito especial de criar – voltámos às memórias de algumas das pessoas mais importantes das nossas vidas, e quisémos homenageá-las, pelas influência que tiveram na nossa educação e na nossa paixão pela cozinha.

Durante esta semana, vamos publicar, também, algumas das receitas que fizeram as delícias de quem se sentou à nossa mesa!

Bolo do Caco

1 Jun

Porque uma das minhas avós era madeirense, algumas das receitas que fizemos vieram da ilha…

Confesso que fiz batota: a minha avó não fazia bolo do caco. Mas tínhamos vontade de experimentar, é das melhores coisas que se podem comer na Madeira e resolvemos incluí-lo na ementa.

Ficou muito diferente do bolo do caco que se por lá come, mas tendo em conta que foi cozido num forno eléctrico e não de lenha, ficou bastante bom. O facto de ser servido bem quentinho com manteiga de alho ajuda, claro…

Bolo do Caco

1kg de farinha

1kg de batata doce cozida e em puré

25g de fermento de padeiro

água q.b. (cerca de 80ml)

sal q.b.

Para a Manteiga de Alho

manteiga amolecida

alho picado

salsa picada

 

Um problema destas receitas antigas é que são escritas para quem sabe cozinhar e as instruções são muito, muito escassas…

De qualquer forma, aqui seguem as nossas indicações: começa-se por desfazer o fermento na farinha e junta-se o puré de batata doce à farinha. Adiciona-se sal e vai-se juntando água até a massa ficar pronta para amassar. Depois é dar ao braço, amassar muito bem, como se faz com o pão. Aqui declaro a minha inexperiência nesta área, mas depois da Inês mostrar que quando se amassa o pão não há lugar para meiguices, acho que lhe tomei o gosto e tive que concordar com ela: amassar pão é terapêutico!

Depois deixa-se a levedar até duplicar de tamanho e formam-se os bolos com a dimensão que se pretender.  Não são bolas de pão normal, são bolas achatadas, como discos. Esta quantidade de massa deu para cerca de 8, 9 bolos do caco com cerca de metade do tamanho dos que costumam ser servidos na Madeira.

Os bolos ainda ficam umas 2 horas a levedar e por fim vão ao forno, a cerca de 170º, durante 20 minutos. Durante este tempo junte à manteiga amolecida o alho e a salsa picados.  Quantidades a gosto.

Assim que o bolos saírem do forno, abra-os longitudinalmente, barre com a manteiga de alho e sirva de imediato.

Deixa um cheirinho maravilhoso na casa.

Podemos dizer que dias depois do almoço ainda convivas apareciam no Facebook a elogiar esta deliciosa entrada…

Pode ainda servir com um prego ou um hambúrguer. Fica tão bom!

Filipa

de mão cheias

25 May

Ainda antes de começarmos a pensar na ementa da edição “As receitas das nossas avós” do Prato Improvisado, havia uma ideia que não nos saía da cabeça: de casa das avós, nunca se sai de mãos vazias.

Por isso, sabíamos que não podíamos deixar os nossos convidados sair sem algo que lhes adoçasse o resto do fim-de-semana.

As receitas que nos foram passadas pelas nossas avós, são mais do que simples comida. São pratos cheios de memórias e de momentos.

Esta receita é daquelas que só uma avó nos pode passar. Nada é complicado, em apenas meia dúzia de linhas percorremos a receita toda.

Estas areias têm uma textura que lembra o seu nome – têm um suave sabor a canela, e uma leveza tal que nos engana e nos pode levar a comer demasiadas 🙂

Areias da avó Cremilde

250g de manteiga

100g de banha

100g de açúcar

400g de farinha

Misturar as gorduras com o açúcar e aos poucos a farinha. Com as mãos, fazer uma bola uniforme, da qual se tendem pequenas bolas, que se achatam com os dentes de um garfo.

Vão ao forno quente (170º) até alourarem, e depois de arrefecerem são polvilhadas com açúcar e canela.

Espero que gostem!

Inês

As Receitas das Nossas Avós

4 May

O próximo Prato Improvisado vai ter lugar já no dia 22 de Maio é uma homenagem àquelas com quem demos os primeiros passos na cozinha. Estamos a resgatar receitas antigas, sabores saudosos que queremos partilhar no primeiro Prato Improvisado oficial. Não nos lembramos de uma melhor forma de começar.
A tocar vão estar os grandes hits nacionais e internacionais de anos idos.

Caderno da receitas da trisavó Rosinha                                            caderno de receitas da trisavó Rosa

Já não temos muitas vagas. Para fazer reserva, já sabem, basta enviar um e-mail para pratoimprovisado@gmail.com